O blogueiro esteve fora em viagem e retorna agora, com espírito reincidente. Para marcar tal estado, traz abaixo um pedaço de música já editado aqui, mas que faz sentido pelo tema e pelo vigor da letra, que é fantástica:

“People tell me it’s a sin
To know and feel too much within.
I still believe she was my twin, but I lost the ring.
She was born in spring, but I was born too late
Blame it on a simple twist of fate”.

Bob Dylan é mesmo um belíssimo autor.

De acordo com o item de contagem de reproduções:

  • Teardrop – Massive Attack
  • On The Way Home – Neil Young
  • West Ryder Silver Bullet – Kasabian
  • Hold On – John Lennon
  • It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine) – R.E.M

A última merece até o vídeo. Fantástica para a madrugada.

O dilema de escrever, dirá o escritor – ao menos o iniciante e que fala por si só -, é inserir-se na fantasia a tal ponto em que ela se torna parte da realidade.

Esta dinâmica não parece ser, entretanto, privilégio de quem trabalha com a palavra.

Ela está inserida na necessidade humana de negar os fatos que constituem a vida e criar um universo para si mesmo que justifique a ausência de dor. É possível também que se volte os olhos a dores antigas, com o propósito de não encarar novos dilemas.

Pois se não são os velhos problemas tão caros e ainda não resolvidos, quais as vantagens de se obter novas experiências?

Esta necessidade de negar o novo força um círculo sem solução, já que é confortável portar-se descuidadosamente frente à si mesmo.

Essa é a definição mais cruel do não viver. E é, acima de tudo, provocada por nós mesmos.

Existe sempre uma justificativa para determinar uma ação que não necessariamente é a mais adequada.  Não importa o quão consciente se esteja da estupidez de se realizar algo, acaba-se por ir contra a própria lógica.

A contradição entre o racional e o sentir por vezes é, sem dúvida, destrutiva.

 Existe algo estranho entre definir verdade e mentira nas relações e na forma como nos colocamos frente às coisas.

Ser jovem e viver de memórias, por exemplo, é viver essencialmente da fantasia. Porque não é possível ter firmeza quando não se tem vivência suficiente para consolidar uma existência voltada ao passado.

Também é de se estranhar que se queira utilizar o que passou para que o futuro se desenhe mais tranquilo.

É que, de tantos medos e  somadas as experiências dolorosas, parece ser mais adequado conviver com o que se está já acostumado.

O blogueiro não sabe se isto é verdade ou mentira.

Também não sabe mais o que está escrevendo. É tudo mesmo um filme do Fellini. Ou um quadro do Magritte.

Mas ontem o blogueiro esteve em um show no Sesc Pinheiros, em São Paulo, para uma homenagem ao cantor Wilson Simonal. E dormiu na cadeira. O espetáculo foi conduzido por Wilson Simoninha e Max de Castro – filhos do homem -, que interpretaram canções do pai.

Ninguém sabe o duro que eu dei (para aguentar até o final).

…que Goebbels mancava. Que a Itália já havia se convertido aos aliados em 1944. E que esses erros poderiam marcar “Bastardos Inglórios”.  Depois de alguns minutos, porém, isso é esquecido. Isso porque o filme é um pastiche surreal e divertido.

E que o Brad Pitt parece o William Faulkner, isso lá parece.

Releio anotações, não minhas, sobre como a dança liberta o indíviduo. Sem palavras, sem raciocínio, tem-se apenas o eu incomunicável, aquele que busca resgatar, por meio de gestos, sua verdadeira essência.

Desta reflexão, busca-se outra. Eliminados o racional e a palavra, não há a música – não há composição, não há o trabalho de se produzir as notas em sequência. Morre o som e assim, falece a dança.

Não é no gesto que reside o verdadeiro encontro com si mesmo.

É no silêncio.

A capa de Freewhelling’ Bob Dylan, com o cantor abraçado na namorada Suzie Rotollo é significativa para representar – ou imaginar-, aquele certo tipo de amor juvenil, baseado na premissa que as relações são para sempre. A forma como eles se abraçam e se protegem do frio pode confirmar essa afirmação.  É de se supor que o disco não devesse trazer trazer uma música como “Don’t think twice, it’s alright”, agressiva e que apresenta o fim do relacionamento entre ambos.  A letra é cortante:

Bob Dylan e Suzie Rotolo em 1963

Bob Dylan e Suzie Rotolo em 1963

 

I’m walkin’ down that long, lonesome road, babe
Where I’m bound, I can’t tell
But goodbye’s too good a word, gal
So I’ll just say fare thee well
I ain’t sayin’ you treated me unkind
You could have done better but I don’t mind
You just kinda wasted my precious time
But don’t think twice, it’s all right

É tênue a linha entre gostar e odiar. E na maioria dos dias, ambas as sensações convivem em desarmonia funcional.

Porque o Ringo Starr merece mais uma homenagem deste blog.

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